08/08/2017

A primeira vez

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 Era a primeira noite de inverno, o primeiro dia de férias, a primeira festa, a primeira vez em que eles se beijaram. Ele estava nervoso, não conseguia disfarçar, embora estivesse tentando muito. As mãos inquietas o denunciavam, os olhos se desviando também. Ela estava ansiosa, podia sentir seu coração batendo mais rápido que a música e gostava da sensação. Sabia que aquilo mantinha seus sentimentos reais. Durante toda a noite estiveram lado a lado, rindo juntos, trocando tímidos toques, suprindo a necessidade que tinham de estarem próximos. Até a hora de dizer adeus. Ele chamou um uber sob a luz trêmula do único poste aceso na rua, ela prestou atenção no modo como a fumaça saía de sua boca quando ele falava. Antes que percebessem, estavam aconchegados nos braços um do outro. Seria o frio ou seus corpos implorando por aquele contato, se atraindo como polos opostos? Eles se olharam, a luz amena, amarela, permitindo que conseguissem analisar o rosto um do outro e então os lábios se esbarraram suavemente, os estômagos se contorcendo, os corações disparados como carros em fuga. O beijo durou segundos, mas a memória daquela noite… Oh, aquela não os deixaria dormir. Em sua insônia, ele apenas desejaria que ela ainda se sentisse da mesma forma ao amanhecer. Na dela, ela apenas desejaria que ele não brincasse com o seu coração.

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